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domingo, 1 de fevereiro de 2026

16 de Janeiro de 1545 - Falecimento do Diplomata e Bibliotecário Georg Spalatin


Nascido Georg Burkhardt na cidade de Spalt, perto de Nuremberg, onde seu pai era curtidor. Quando jovem, foi para Nuremberg para estudar e, logo depois, para a Universidade de Erfurt, recebeu seu diploma de bacharel em 1499.

Formado como um humanista, adotou a prática comum de latinizar seu sobrenome com referência ao local de nascimento. "Spalatinus", ou Spalatin. Nessa época atraiu a atenção de Nikolaus Marschalk, o professor mais influente da universidade, que fez Spalatin seu amanuense e o levou para a nova Universidade de Wittenberg em 1502.

Ainda jovem, entrou a serviço da corte saxônica, tornando-se secretário, bibliotecário e conselheiro do eleitor Frederico, o Sábio, príncipe fundamental para a proteção de Martinho Lutero nos primeiros anos da Reforma.
 
Não se sabe como ele conheceu Lutero pela primeira vez, mas o reformador tornou-se seu principal conselheiro em todos os assuntos morais e religiosos. Suas cartas para Lutero se perderam, mas as respostas permanecem. Ele leu os escritos de Lutero para o eleitor e traduziu para ele aqueles em latim para o alemão. Sua influência foi crucial em 1518, persuadindo o eleitor Frederico, o Sábio a proteger Lutero durante a controvérsia sobre as indulgências e oferecesse proteção a Lutero após a Dieta de Worms em 1521, permitindo sua permanência segura no Castelo de Wartburg.

Além disso, Spalatin contribuiu para a difusão das ideias reformadas por meio de seu trabalho intelectual. Como humanista, promoveu o estudo das Escrituras em suas línguas originais e incentivou reformas educacionais e eclesiásticas nos territórios saxões. Após a morte de Frederico, continuou exercendo funções administrativas e, mais tarde, assumiu o ministério pastoral em Altenburg, onde aplicou na prática os princípios da Reforma.

A relevância histórica de Georg Spalatin está justamente em sua atuação nos bastidores: ele demonstrou que a Reforma não foi apenas fruto de grandes pregadores, mas também de administradores, diplomatas e intelectuais capazes de garantir sustentação política, institucional e cultural ao novo movimento. Georg Spalatin faleceu em 16 de Janeiro de 1545, em Altenburg.

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

23 de Janeiro - Na história das Missões - Lembrando dos Mártires Graham Staines e seus Filhos Philip e Timothy

 


Graham Staines era um missionário australiano, ligado à missão Evangelical Missionary Society of Mayurbhanj, que atuava na Índia desde os anos 1960.

Ele dedicou mais de 30 anos ao cuidado de leprosos, especialmente no estado de Orissa (atual Odisha), numa região pobre e marcada por forte tensão religiosa.

Seu trabalho não era apenas evangelístico, mas também humanitário e médico, cuidando de pessoas rejeitadas pela sociedade indiana, especialmente os portadores de hanseníase.


O Martírio (1999)

Na noite de 22 para 23 de Janeiro de 1999, Graham Staines e seus filhos:
Philip (10 anos)
Timothy (6 anos)

Estavam participando de um acampamento cristão em Manoharpur, distrito de Keonjhar, Odisha. Enquanto dormiam na camionete, um grupo de extremistas hinduístas cercou o veículo e ateou fogo, impedindo qualquer fuga. Os três morreram carbonizados.

Chocou o mundo e expôs de forma brutal a perseguição contra cristãos na Índia.


Responsáveis e Julgamento

O principal responsável identificado foi Dara Singh, um extremista hindu nacionalista.

Após Anos de Processos:

Foi condenado à prisão perpétua. Outros envolvidos receberam penas menores.
Apesar disso, o caso revelou falhas graves na proteção das minorias religiosas no país.

Talvez o aspecto mais impactante dessa história tenha sido a postura da esposa de Graham, Gladys Staines. Ela declarou que:


Eu perdoo os assassinos do meu marido e dos meus filhos.

E mais: ela permaneceu na Índia por vários anos, continuando o trabalho com leprosos, em vez de retornar imediatamente à Austrália. Esse gesto se tornou um dos mais poderosos testemunhos cristãos contemporâneos sobre perdão, comparável aos relatos dos mártires da Igreja primitiva.

O martírio de Graham Staines e seus filhos, reacendeu o debate mundial sobre perseguição religiosa.

Fortaleceu movimentos de oração pela Igreja Perseguida. Tornou-se referência em missiologia, teologia do sofrimento e ética cristã.

Hoje, eles são lembrados como símbolos de:

. Amor sacrificial
. Fidelidade até a morte
. Perdão radical
.Testemunho público do Evangelho
. Dimensão teológica do martírio

A história deles ecoa textos como:

Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça… (Mateus 5:10)


Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer… (João 12:24)

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Barnabé foi quem Deus Enviou para Ajudar Paulo na sua Caminhada e Aceitação

 


Jesus não nos resgatou do pecado e da morte para sermos estéreis, mas para frutificarmos, sermos pedras vivas.


Reverendo e Colunista Israel Júnior


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A Depressão de Spurgeon não Diminuiu sua Grandeza Espiritual

 


Fé, Dor e Esperança no Príncipe dos Pregadores.

Mais uma indicação de livros do Acervo
 
Charles Haddon Spurgeon (1834–1892), conhecido como o “Príncipe dos Pregadores”, foi um dos maiores pregadores da história cristã. Suas pregações impactaram milhares de vidas e seus escritos permanecem relevantes até hoje. Contudo, por trás do púlpito poderoso havia um homem que travava batalhas profundas contra a depressão.

Falar sobre a depressão de Spurgeon não diminuiu sua grandeza espiritual, ao contrário, humaniza sua fé e fortalece nossa compreensão sobre o sofrimento na vida cristã. Um homem de Deus que sofreu emocionalmente

Desde jovem, Spurgeon enfrentou crises emocionais intensas. Aos 22 anos já liderava milhares de pessoas no Tabernáculo Metropolitano de Londres, carregando uma pressão espiritual e emocional enorme. Além disso, sofria com: Dores físicas constantes, gotas severa, exaustão extrema.
 
Críticas Públicas e Perseguições

Tragédias pessoais, como o incêndio no Surrey Music Hall, onde várias pessoas morreram durante um culto. Esses fatores agravaram seu estado emocional, levando-o a períodos profundos de tristeza, isolamento e desânimo.

Spurgeon não romantizava seu sofrimento. Ele falava abertamente sobre seus momentos de escuridão:

Tenho aprendido a beijar a onda que me lança contra a Rocha dos Séculos.

Ele reconhecia que a depressão não era apenas espiritual, mas também física e emocional. Para ele, cuidar do corpo e da mente fazia parte da vida cristã.

Ele Desmistificou Mitos Comuns
 
. Depressão não é ausência de fé.
. Depressão não é pecado.
. Depressão não é fraqueza espiritual.

Spurgeon compreendia o sofrimento como parte da pedagogia divina. Não via a dor como punição, mas como instrumento de maturidade espiritual.

Ele ensinava que, Deus não abandona seus servos na dor e que a tristeza pode nos aproximar mais de Cristo. E que a graça de Deus não elimina toda dor, mas sustenta no meio dela.
 
Sua teologia era profundamente cristocêntrica. Cristo não é apenas o Salvador do pecado, mas também o companheiro na dor.

A experiência com a depressão fez de Spurgeon um pastor mais sensível. Seus sermões passaram a tocar não apenas a mente, mas o coração ferido.

Ele falava para os cansados, os oprimidos, os aflitos, aos que se sentiam espiritualmente fracassados.

Spurgeon tornou-se um pregador dos que sofrem.

A contribuição do livro “A Depressão de Spurgeon”, de Zack Eswine



O autor Zack Eswine, em sua obra A Depressão de Spurgeon, apresenta uma leitura pastoral, bíblica e humana da vida emocional do pregador.

O livro nos ensina que, grandes homens de Deus também sofrem. A saúde emocional deve ser tratada com seriedade. A igreja precisa acolher, não julgar. O cuidado pastoral deve incluir a dimensão emocional

É uma obra fundamental para pastores, líderes, estudantes de teologia e cristãos em geral.

Aplicações para a Igreja Hoje

A história de Spurgeon confronta uma espiritualidade superficial que ignora a dor emocional. A igreja precisa ser, um lugar de acolhimento, um espaço de cura, um ambiente onde não se espiritualiza a doença emocional.
 
Cristãos podem sofrer de depressão, e ainda assim amar profundamente a Deus.

A depressão de Spurgeon não obscurece sua fé, mas a ilumina. Ele nos ensina que é possível caminhar com Deus mesmo nos vales mais escuros. Sua vida testemunha que a fé não nos isenta da dor, mas nos sustenta nela.

Pastor e Colunista Michael Rossane

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

O Martírio de 08 de Janeiro de 1956, dos Missionários Jim Elliot, Nate Saint, Roger Youderian, Ed McCully e Pete Fleming

 


A morte de Jim Elliot, Nate Saint, Roger Youderian, Ed McCully e Pete Fleming não pode ser lida apenas como um fato histórico distante. Pastoralmente, ela nos interpela sobre como seguimos Jesus em contextos de risco, diferença cultural e sofrimento real.

O Chamado não é imprudência, é obediência discernida. Pastoralmente, é importante afirmar que o chamado cristão não glorifica a morte nem despreza a vida. O que se destaca aqui é a obediência, o propósito, o fruto de oração, convicção. 

"Esses missionários não buscaram o martírio, buscaram servir, mesmo quando isso implicava riscos"

A visão pastoral madura ensina a unir zelo missionário com sabedoria, amor, escuta e respeito aos povos.

Outro Ponto de Vista Pastoral.

A missão cristã nasce da cruz e se mede por ela. Não avança pela força, mas pelo amor que se doa. A visão da cruz nos livra do triunfalismo e nos lembra que o Reino de Deus cresce muitas vezes em silêncio, na fraqueza e no testemunho fiel.


"Onde há sofrimento, a Igreja é chamada a estar, a ser, e não a dominar".

Exemplo de Perdão como Testemunho Radical

Um dos aspectos mais belos dessa história é o perdão vivido pelos familiares dos missionários. O retorno à região, a convivência pacífica e a reconciliação posterior, revela que o evangelho não termina no túmulo.


"Isso nos ensina que o perdão não apaga a dor, mas a transforma, não nega a injustiça, mas abre caminhos de cura".

A Missão e o Respeito Cultural

"O respeito aos povos originários, o amor a esses povos, às suas línguas e cosmovisões, é parte essencial do cuidado cristão".


Com essa história aprendemos que, missão não é apagar culturas, mas encarnar o Evangelho com humildade.

"Evangelizar é Ouvir, é Aprender e Servir".

Lembrar o 08 de Janeiro de 1956 é um ato pastoral. Não para romantizar a violência, mas, formar consciências, fortalecer vocações e aprofundar uma fé responsável, sensível, comprometida com vidas.

"A memória cristã, quando bem cuidada, gera discernimento para o presente".

Esta história nos pergunta, hoje:

Onde somos chamados a amar com mais coragem?
Onde precisamos unir fé e responsabilidade?
Como testemunhar Cristo sem perder a ternura, a justiça, e humildade!

A visão cristã, pastoral, encontra nesse episódio, não um modelo a ser imitado mecanicamente, mas um espelho que revela a radicalidade do amor cristão quando vivido com fidelidade, obediência, discernimento e graça.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

6 de Janeiro de 1832 - Nascimento do Artista e Teólogo Gustave Doré

 


Nascido em 6 de Janeiro de 1832, em Estrasburgo, então parte da França, Gustave Doré foi um dos artistas mais influentes do século XIX. Autodidata e prodígio desde a infância, iniciou sua carreira profissional ainda adolescente, tornando-se rapidamente uma referência no meio editorial francês.

Doré destacou-se como ilustrador, gravador, pintor e escultor, mas foi na xilogravura que alcançou projeção internacional. Suas ilustrações para obras como A Divina Comédia, Dom Quixote, O Paraíso Perdido e a Bíblia definiram o imaginário visual de gerações, especialmente no campo da literatura clássica e da iconografia cristã. Seu estilo é marcado por composições monumentais, forte uso de luz e sombra, dramatismo intenso e imaginação narrativa. 

Doré não apenas ilustrou textos: Ele os interpretou visualmente, criando imagens que, até hoje, influenciam a arte, o cinema e a ilustração contemporânea.

Doré exerceu profunda influência na iconografia religiosa, literária e fantástica, moldando a forma como gerações posteriores passaram a visualizar cenas bíblicas, medievais e épicas. Seu estilo dramático antecipou elementos que mais tarde seriam associados ao simbolismo e até à estética cinematográfica, influenciando ilustradores, gravuristas e diretores de arte dos séculos seguintes.

Apesar do sucesso popular, enfrentou críticas de setores acadêmicos de sua época, que consideravam sua obra excessivamente teatral; ainda assim, sua recepção internacional, especialmente na Inglaterra, consolidou sua reputação. Hoje, Doré é reconhecido como um dos pilares da cultura visual moderna.

Gustave Doré faleceu em 23 de Janeiro de 1883, em Paris, deixando um legado que continua a moldar a forma como enxergamos a literatura, a fé e o imaginário fantástico.

A Conversão de Charles Haddon Spurgeon - Castelo Forte


Hoje na História da Igreja relembramos que em 6 de Janeiro de 1850, o jovem Charles Haddon Spurgeon foi convertido.

Em um Domingo de inverno em Colchester, Spurgeon, de 15 anos, estava a caminho da Capela Congregacional local. Mas a neve e o granizo intensificaram-se tanto que ele ele parou antes numa Igreja Metodista Primitiva para se abrigar, um culto para poucas pessoas tinha começado, e um homem que não era o pastor começou a pregar. Ele anunciou seu texto em Isaías 45:22

Spurgeon diz: "Lembro-me de como ele disse: 'Meus amigos, este é realmente um texto muito simples. Diz: 'Olha'. Agora olhar não custa muita dor. Não é levantar o pé ou o dedo; é apenas 'Olha!' Bem, um homem não precisa ir para a faculdade para aprender a olhar. Você pode ser o maior tolo, ainda assim consegue olhar. Uma criança pode olhar. Quem é quase um idiota pode olhar. Mais fraco ou pobre que um homem possa ser, ele pode perecer.
 
E se ele olhar, a promessa é que ele viverá. “Muitos de vocês estão olhando para si mesmos. Não adianta olhar para lá. Nunca encontrará nenhum conforto em si mesmo. Alguns dizem para olhar para Deus, o Pai. Não, olhe para Ele aos poucos. É Cristo quem fala: Estou no madeiro, morrendo pelos pecadores; olhe para Mim! Eu me levanto novamente. Olhe para mim! Eu subo ao céu! Olhe para mim. 

Estou sentado à direita do Pai. Ó pobre pecador, olhe! Olhe para mim! Alguns de vocês dizem: “Devemos esperar pela obra do Espírito”'. Você não tem nada a ver com isso agora. Olhe para Cristo. O texto diz: “Olhe para mim”.

O pregador conseguiu repetir isso, então olhou para sua congregação e criticou Spurgeon: “Jovem, você parece muito infeliz”, disse ele. “Bem”, disse Spurgeon, “eu parecia infeliz, mas eu não estava acostumado a receber comentários do púlpito sobre minha aparência pessoal. No entanto, foi um bom golpe, acertado em cheio.” O pregador continuou: “e você sempre será miserável, miserável na vida e miserável na morte, se não obedecer ao meu texto; mas se você obedecer agora, neste momento, você será salvo.” E então ele gritou:

“Jovem, olhe para Jesus Cristo. Olhar! Você não tem nada a fazer senão olhar e viver! E eu olhei."


Breve História da Interpretação da Bíblia

Breve História da Interpretação da Bíblia

Desde o início da igreja desenvolveram-se duas heranças:

(1) uma que sustenta que o significado das Escrituras se encontra apenas em seu sentido primário, histórico e (2) outra que entende que o significado definitivo das Escrituras está em seu sentido pleno ou completo. Dessa distinção desenvolveram-se alguns modelos e combinações de modelos para a interpretação da Bíblia na igreja primitiva.

A Igreja Primitiva

Os pais apostólicos no século II acompanharam o pensamento dos apóstolos. Para provar a unidade das Escrituras e sua mensagem, estudiosos como Ireneu (c. 140-202 d.C.) e Tertuliano (c. 155-225 d.C.) desenvolveram estruturas teológicas. Essas estruturas serviram como diretrizes de fé na igreja.

Mantendo a ênfase cristológica do primeiro século, a regra de fé esboçava as crenças teológicas que encontravam seu centro no Senhor encarnado. A interpretação bíblica alcançou novos níveis com o surgimento da escola de Alexandria no século III, com o desenvolvimento da interpretação alegórica.

Quando a igreja entrou no século V, desenvolveu-se uma abordagem eclética e multifacetada de interpretação, que às vezes destacava o literal e histórico, e às vezes, o alegórico, mas sempre o teológico. Agostinho (354-430 d.C.) e Jerônimo (c. 341-420 d.C.) definiram os rumos desse período.

A Idade Média e a Reforma

Da época de Agostinho, a igreja, seguindo a lide¬rança de João Cassiano (que morreu em cerca de 433), abraçou a teoria do sentido quádruplo das Escrituras:

1) O sentido literal era o que podia nutrir as virtudes da fé, esperança e amor.
2) O sentido alegórico referia-se à igreja e à sua fé, àquilo em que ela devia crer.
3) O sentido tropológico ou moral referia-se aos indivíduos e ao que eles deviam fazer, correspondendo ao amor.
4) O sentido anagógico indicava a expectativa da igreja, correspondendo à esperança.

Martinho Lutero (1483-1546), o grande reformador, começou empregando o método alegórico, mas depois afirmou tê-lo abandonado. Foi Erasmo (1466-1536), mais que Lutero, quem redescobriu a primazia do sentido literal. João Calvino (1509-1564), o intérprete mais coerente da Reforma, desenvolveu a ênfase no método histórico-gramatical como base para o desenvolvimento da mensagem espiritual a partir da Bíblia.


A Era Atual

A era atual testemunhou o surgimento e o desenvolvimento de várias abordagens críticas das Escrituras.

A “Nova Hermenêutica” desenvolveu-se da abordagem existencial. Eles consideravam a interpretação como a criação de um “evento lingüístico” em que a linguagem autêntica da Bíblia confronta leitores contemporâneos, desafiando-os à decisão e à fé.

Além da hermenêutica existencial, entre os interesses recentes estão as abordagens linguística literária, estruturalista e sociológica. Essas abordagens tendem a destacar o contexto histórico de um texto e a vida em seu ambiente original.

A hermenêutica canônica deve estar atenta para não reduzir as ênfases distintas dentro do cânon em favor de harmonizações superficiais.

Histórias das Versões da Bíblia em Inglês 

Todas as traduções em inglês foram motivadas por necessidades práticas.

As versões anglo-saxônicas

As primeiras Bíblias em inglês não eram inglesas de maneira alguma, e a rigor nem eram traduções. As verdadeiras traduções anglo-saxônicas começaram com a versão de Salmos feita por Aldhelm em cerca de 700 d.C.

Na Idade Média

A Bíblia em inglês fez poucos avanços durante os primeiros anos dos normandos, após 1066. O reformador John Wycliffe, destacando a função das Escrituras, teve a visão de traduzir toda a Bíblia para uso mais amplo.

Na Reforma

Tyndale. A Bíblia de Wycliffe foi um passo importante, mas uma oposição feroz, o trabalho pesado, o alto custo de produção e as rápidas mudanças linguísticas reduziram seu impacto. William Tyndale foi o pioneiro, o incentivador e buscou patrocínio oficial publicar a edição aperfeiçoada de 1534.

The Great Bible (A Grande Bíblia).

Coverdale, protegido pelo arcebispo Cranmer, fez então uma tradução rápida de toda a Bíblia a partir de fontes secundárias (1535); para tanto obteve autorização real.
As Bíblias de Genebra, do Bispo e de Rheims.

Um Antigo Testamento revisado completou a Bíblia de Genebra em 1560. A versão incluía os apócrifos, mas negava especificamente sua autoridade canônica.

Authorized Version (AV, KJV).

John Reynolds produziu uma versão da Bíblia revisada. Essa versão passou a ser chamada King James Version (KJV, Versão do Rei Tiago) ou Authorized Version (AV, Versão Autorizada).


No Período Moderno

No período pós-Reforma. Trabalhos complementares na Bíblia em inglês tomaram três rumos diferentes: paráfrase, pesquisa acadêmica e modernização estilística. As paráfrases na realidade tentam interpretar o texto de maneira popular para o leitor.

No século XIX. No século XIX, estudos bíblicos avançados e a utilização cada vez maior logo geraram uma demanda de revisões que refletissem as conclusões acadêmicas e o desenvolvimento linguístico.

A revisão americana obteve mais sucesso. Essa versão não só divergiu da RV em detalhes, como alcançou maior qualidade literária que conquistou o apreço de muitos leitores.


No século XX

O século XIX concentrou-se principalmente no campo acadêmico, e o XX mostrou interesse especial na modernização.

O final do século XX gerou novas tentativas de versões populares.
Nenhuma versão é perfeita, e é preciso realizar novos trabalhos quando surgem novos dados e a língua muda. A Bíblia não é um livro comum. É a Palavra escrita de Deus e carrega o testemunho autorizado da Palavra encarnada.

Histórias das Versões da Bíblia em Português 

O início das traduções da Bíblia para o português remonta à Idade Média. O rei D. Diniz (1279-1325) é considerado o precursor dessa tão nobre tarefa.

Foi o protestante português João Ferreira de Almeida, nascido em 1628, próximo a Lisboa, quem marcou a história como o primeiro tradutor a trabalhar a partir das línguas originais.

No início do século XX, em 1917, foi publicada no Brasil uma tradução bastante literal e erudita que teve a colaboração de Rui Barbosa. Ficou conhecida como a Tradução Brasileira e não é mais publicada atualmente.

No cenário evangélico, merece destaque a Bíblia na Linguagem de Hoje (BLH, Sociedade Bíblica do Brasil — 1988), feita intencionalmente em linguagem popular, sob uma filosofia de tradução mais flexível, mas baseada em exegese erudita e respeitada.

Mais recentemente foi lançada a Nova Versão Internacional (NVI), publicada em março de 2001 (Novo Testamento em 1994); trata-se de versão fiel ao sentido do original e em linguagem contemporânea.


As Diferenças nos Manuscritos da Bíblia 

Antes da invenção da imprensa por volta de 1450, todos os livros eram escritos e copiados à mão. Uma obra escrita à mão é chamada manuscrito. As diferenças entre as cópias dos livros do Antigo ou do Novo Testamento são chamadas leituras variantes.

Não é de admirar que haja diferenças nos manuscritos antigos. O processo laborioso de cópia à mão levava inevitavelmente a erros acidentais. Além dos erros acidentais, parece que alguns escribas desviavam-se deliberadamente do texto que estavam copiando, com a intenção de corrigir erros anteriores.

A quantidade de variações nos manuscritos hebraicos do Antigo Testamento é relativamente pequena. A maior parte dos manuscritos, porém, é medieval — afastada dos originais em mais de mil anos. Exceções notáveis são os manuscritos de trechos relativamente pequenos do Antigo Testamento encontrados em Qumran e escritos por volta do início da era cristã, ou seja, alguns dos Manuscritos do Mar Morto.

Por causa do grande número de leituras variantes nos manuscritos bíblicos antigos, não é “simples” traduzir do hebraico ou grego para alguma língua moderna. Além de manuscritos hebraicos e gregos, os estudiosos também empregam as versões antigas (traduções) na tentativa de restaurar o texto original.

Um tipo de texto é um grupo de manuscritos, versões e citações antigos em grego que têm muito em comum. Em geral, o tipo considerado mais confiável é o alexandrino. Outro tipo reconhecido pela maioria dos estudiosos, mas nem todos, é o ocidental. Seus membros não têm tanto em comum entre si como os do tipo alexandrino e bizantino, mas remontam a meados do século II.


Manual Bíblico Vida Nova
Acervo da Teologia 


A Origem da Bíblia Sagrada - Bibliologia

Vários manuscritos foram encontrados
no Mar Morto contendo cópias de
passagens do Antigo Testamento; tais
descobertas têm servido para
reforçar as provas da autenticidade
da Bíblia diante dos incrédulos


Introdução 

Panorama Geral
a) Definição: A palavra Biblion (Bíblia) é de origem grega, e significa livrinhos ou coleção de livros.

b) Objetivo: A revelação da pessoa e da lei de Deus ao homem.


c) Significado atual: É o livro que representa a crença de todas as religiões que professam o cristianismo e/ou o Deus Jeová como a base de sua fé.



d) Aplicação pessoal: Fonte que transmite, além de conhecimento, profecias sobre

acontecimentos futuros e, de acordo com a fé individual, revelações através das pregações de seus textos.

Desde quando tirou seu povo do
Egito, Deus tem usado a escrita
como meio de levar ao homem o
conhecimento que o conduz à
salvação


História 

1 - O princípio


a) Deus se revela ao homem: Deus sempre procurou falar com a humanidade de alguma maneira: No princípio, Ele se revelou pessoalmente ao homem no jardim do Éden; e dessa mesma forma Ele também se comunicava com os seus servos, assim como Noé, Abraão e Moisés, entre vários outros; posteriormente, passou a falar com o povo através de homens escolhidos especificamente para exercer o ministério profético.

b) A Palavra divulgada por Jesus e a unção do Espírito Santo: Tempos depois, com a vinda de Cristo à terra, sua Palavra se expandiu ainda mais; após a crucificação, com a descida do Espírito Santo, Ele passou a falar diretamente com os homens sem a necessidade do uso de profetas.


c) A Palavra pregada pelos apóstolos: A partir daí, o evangelho foi grandemente divulgado pelos apóstolos, principalmente Paulo, em boa parte dos lugares habitados no mundo naquela época. Esses pioneiros da missão evangelística, deixaram seus valorosos trabalhos registrados em cartas e livros, os quais contém a Palavra de Deus pregada por eles, tendo por base a lei de Moisés, os livros poéticos, os históricos e os proféticos, mas sempre destacando enfaticamente os ensinamentos deixados por Jesus Cristo.


2 - A propagação da palavra séculos depois


a) A data e a autoria da Bíblia: A Bíblia Sagrada narra a história um período indefinido de tempo (desde a criação do mundo, até o Apocalipse de João em 96 d.C, aproximadamente, contendo também profecias de tempos futuros); ela foi escrita por cerca de 40 autores, inspirados por Deus, que viveram em lugares e épocas diferentes, e não se conheciam; mesmo assim, nela não há nenhuma contradição.

b) As línguas originais: O Antigo Testamento foi escrito em hebraico, com exceção apenas de alguns trechos escritos em Aramaico. O Novo Testamento foi escrito em grego.


c) A montagem da Bíblia: Ao longo dos anos, os arqueólogos foram encontrando, pouco a pouco, os rolos escritos em papiro (folhas de uma planta) e pergaminho (pele de animal) e juntaram-os como sendo um único livro.Todos os manuscritos originais do Antigo e do Novo testamento foram perdidos; os textos existentes hoje nas linguás originais são baseados em cópias dos documentos autênticos. Até pouco tempo atrás, o manuscrito completo do Antigo Testamento mais antigo era de 916 dC. Em 1946, foram achados vários manuscritos desses livros em onze cavernas de Qumram (situado a 2 quilômetros do oeste do extremo norte do mar Morto). A maior parte desses manuscritos é do primeiro século a.C. e do primeiro século d.C. Foram encontrados ali manuscritos quase inteiros, sendo os de Isaías os mais famosos, com partes de todos os livros do Antigo Testamento, menos de Ester. Além dos livros bíblicos, foram achados também fragmentos de livros apócrifos (obras literárias com conteúdo teológico, escritas na mesma época dos textos Sagrados, que não foram consideradas como inspiradas por Deus para fazerem parte da Bíblia) e de outros livros da seita dos Essênios (Seita do tempo de Cristo: Mais ou menos quatro mil homens que obedeciam rigorosamente a lei de Moisés. 


 Uns moravam em cidades, porém a maioria vivia em grupos, no deserto de En-Gedi. Eles não são mencionados na Bíblia), que ali os escondeu. Esses manuscritos são de grande importância para o estudo do texto original do Antigo Testamento, como também para se recompor o panorama histórico da época do início Novo Testamento.


d) As primeiras versões: No ano 382 dC, começou a ser elaborada a Vulgata Latina (tradução para o latim) por Jerônimo, a pedido de Dâmaso, que era o papa daquela época; este trabalho somente foi concluído em 404 dC. A primeira versão da Bíblia escrita em português, foi o Novo Testamento, traduzido por João Ferreira de Almeida em 1681.


e) A divisão em capítulos e versículos: O primeiro texto hebraico do Antigo Testamento foi dividido em versículos entre os séculos IX e X a.C., por estudiosos judeus chamados de massoretas; eles concluíram este trabalho por volta de 1230 aC. Em 1551, na frança, um impressor chamado Robert d'etiénne dividiu o Novo Testamento em versículos. Mas, no século XII, é que finalmente a Bíblia Sagrada foi totalmente divida em capítulos pelo teólogo inglês Stephen Langhton. Até o século XVI, as bíblias eram publicadas somente com a divisão em capítulos. Somente em 1560 é que foi publicada a primeira bíblia com os textos divididos em versículos (a Bíblia de Genebra, lançada na Suiça). A primeira versão da Bíblia em português (o Novo Testamento, traduzido por João Ferreira de Almeida em 1681), já foi lançada dividida em capítulos e versículos. A divisão dos textos do Livro Sagrado foi criada para facilitar a memorização e a localização de cada trecho da Palavra de Deus, facilitando assim, nosso estudo e nossa meditação.



Infelizmente, nem todas
as traduções ou estudos
bíblicos são confiáveis;
pois, com o passar do
tempo, para algumas
pessoas, o conhecimento
teológico tem se tornado
uma grande fonte de renda,
a qual tem melhor resultado
quando se distorce a
Palavra de acordo com a
necessidade e a vontade do
povo
A Bíblia Hoje 

1 - Traduções


    Há atualmente mais de 2400 traduções da Bíblia; elas abrangem quase todos os países e idiomas existentes no mundo. Na língua portuguesa existem variadas traduções; algumas das mais conhecidas e utilizadas são:
  • Tradução João Ferreira de Almeida - Revista e Corrigida - 1914
  • Tradução João Ferreira de Almeida - Revista e corrigida - 1951
  • Tradução Brazileira - Soc. Bíblicas Unidas - 1953
  • Tradução Matos Soares - 1953
  • Tradução Figueiredo - 1962
  • Tradução João Ferreira de Almeida - Revista e Atualizada no Brasil - 1969
  • A bíblia na linguagem de hoje (NTLH) - 1973.
  • Tradução João Ferreira de Almeida - Melhores Textos - 1973
  • Tradução João Ferreira de Almeida - Melhores textos - 1979
  • Bíblia "Mensagem de Deus" - 1983
  • A Bíblia de Jerusalém - 1985
  • Tradução do Novo Mundo -  1986
  • Tradução João Ferreira de Almeida - Edição contemporânea - 1992
  • Tradução João Ferreira de Almeida - Corrigida e fiel - 1994
  • Tradução João Ferreira de Almeida - Revista e corrigida - 2000.
  • Nova Versão Internacional (NVI) - 2000
2 - O Conteúdo* das Escrituras Sagradas
    Informações numéricas sobre sua escrita:
  • 2 testamentos (o Antigo e o Novo);
  • 66 livros (39 no Antigo e 27 no Novo);
  • 1.189 capítulos;
  • 31.173 versículos;
  • 773.692 palavras;
  • 3.566.480 letras.
Alguns dados numéricos aqui apresentados podem variar de acordo com a tradução.

O avanço tecnológico tem contribuído
muito para a propagação da Palavra:
sites, blogs, redes sociais e
dispositivos eletrônicos têm
alcançado milhares de pessoas
diariamente com a mensagem do
Evangelho
Conclusão 

    Essa vasta biblioteca espiritual traz um belo e rico conteúdo histórico, geográfico, científico, linguístico e cultural que nos proporciona conhecimento sobre várias fases da humanidade. Através desses livros, o Senhor Deus se fez conhecer dando-nos oportunidade de salvação pelo conhecimento da sua Palavra; sem a Bíblia, seus mandamentos e a história do cristianismo poderiam ter se perdido, chegando a nós como lendas sem crédito e totalmente distorcida. De fato, as diferentes religiões acabam dando diversas e errôneas interpretações para cada passagem bíblica, causando assim muita confusão na mente daqueles que não a entendem; é por isso que se faz tão importante o estudo e a busca do conhecimento mediante a orientação do Espírito Santo. Mais do que um livro de regras e doutrinas, a Bíblia Sagrada é um canal de contato entre o homem e Deus.

Jonas M. Olímpio
Escola Bíblica Virtual